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Polícia Civil realiza operação em Pombal, contra empresas que usavam contratos públicos para lavar dinheiro do tráfico

Uma megaoperação da Polícia Civil da Paraíba, deflagrada nesta quinta-feira (26/02/2026), revelou um esquema que utilizava contratos públicos na Paraíba para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Segundo as investigações, empresas eram inseridas em processos licitatórios para dar aparência de legalidade ao dinheiro do crime.

De acordo com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), um dos casos envolve a empresa AF Amaro Construções, em Pombal, no Sertão paraibano. Conforme a investigação, a construtora “sem funcionários registrados”, recebeu quase R$ 3 milhões em recursos públicos em 2024 para serviços de esgoto e coleta de lixo. “O dinheiro público era usado para irrigar o tráfico de drogas liderado por Luciano Moraes [um dos alvos]”, afirmou a Polícia Civil.

Além disso, a apuração identificou uma empresa sediada em Goiás que, apesar de contar com apenas um funcionário formal, realizava transações milionárias com o núcleo criminoso com atuação na Paraíba. A empresa possuía sócios envolvidos em crimes licitatórios em Minas Gerais.

Operação

A Operação Argos cumpre 44 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão em quatro estados, além de determinar o bloqueio de mais de R$ 104 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis e veículos de luxo.

A Polícia Civil aponta que a organização criminosa possuía divisão interna por núcleos, incluindo um setor específico de lavagem de dinheiro. O esquema teria movimentado cerca de meio bilhão de reais desde 2023, utilizando empresas de fachada, participações familiares, contratos públicos e movimentações bancárias fracionadas para dificultar o rastreamento.

Cronologia das apreensões

A investigação foi pavimentada por apreensões que somam prejuízos que superam os R$ 100 milhões para a Organização Criminosa (ORCRIM).

Apreensões relevantes:

• Maio de 2023 (Patos/PB): Apreensão de 150kg de cocaína escondidos em um caminhão Scania. Prejuízo: R$ 27 milhões.

• Junho de 2023 (Cajazeiras/PB): Apreensão de 400kg de drogas (380kg de maconha e 20kg de cocaína). Prejuízo: R$ 6,8 milhões.

• Outubro de 2023 (Conceição/PB): Apreensão recorde de 1 tonelada de drogas. Prejuízo: R$ 46 milhões.

• Dezembro de 2024 (Patos/PB): Interceptação de 30kg de drogas. Prejuízo: R$ 1,5 milhão.

• Fevereiro de 2025 (São José de Piranhas/PB): Apreensão de 80kg de cocaína pura com selo “Tio Patinhas”. Prejuízo: R$ 10 milhões.

• Setembro de 2025 (Patos/PB): Apreensão de 50kg de entorpecentes. Prejuízo: R$ 1 milhão.

Operação Argos

O nome da operação remete ao gigante mitológico Argos Panoptes, o guardião de cem olhos que nunca dormia totalmente.

A ofensiva mobiliza um efetivo histórico de mais de 400 policiais civis e conta com o suporte do GAECO/MPPB, forças especializadas como o GOE, GOC, UNINTELPOL, Coordeam, as Delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE-JP e DRE-CG) e Delegacias estratégicas da 1ª, 2ª e 3ª Superintendências. No estado de São Paulo, a operação contou com o apoio fundamental da Polícia Civil paulista, por intermédio do DENARC/PCSP, do DEIC de São Bernardo do Campo/PCSP e do DEIC de Piracicaba/PCSP, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e Mato Grosso.

Arquitetura da organização criminosa

A ORCRIM era estruturada em núcleos profissionais com dezenas de integrantes identificados, separados nos Núcleos Gerencial e Núcleo Paraíba, sendo eles:

Transporte: Utilização de carretas de transportadoras lícitas para camuflar drogas em cargas lícitas ou veículos de apoio.

Varejo Operacional: Subnúcleos na Paraíba que pulverizavam a droga para o consumidor final.

Financeiro/Lavagem: Um esquema sofisticado de integração de capitais que movimentou cerca de meio bilhão de reais desde 2023.

Operadores de Destaque na Lavagem:

• Giovanna Parafatti: Ex-bancária com profundo conhecimento do sistema financeiro. Movimentou mais de R$ 15 milhões através de uma holding familiar e da empresa de fachada G Parafatti S Administrativos. Utilizava familiares para pulverizar recursos e adquirir veículos esportivos para a cúpula da ORCRIM.

• Naiara Batistelo: Médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso. Atuava como um “hub” de liquidez na fronteira, recebendo mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses. A suspeita é que seu histórico acadêmico na Bolívia facilitou sua cooptação como “laranja financeira” no comércio transfronteiriço de cocaína.

A Infiltração em Licitações Públicas:

A investigação revelou um braço perigoso da ORCRIM: a tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos.

• AF Amaro Construções (Pombal/PB): Recebeu quase R$ 3 milhões em empenhos públicos em 2024 para serviços de esgoto e lixo, sem possuir funcionários registrados. O dinheiro público era usado para irrigar o tráfico de drogas liderado por Luciano Moraes.

• Empresa de Goiás: Com apenas um funcionário, transacionava milhões com o narcotráfico da Paraíba e possuía sócios envolvidos em crimes licitatórios em Minas Gerais.

Diligências e mandados judiciais

A Operação ARGOS cumpre mandados em 13 cidades: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras (PB); São Paulo, São Bernardo do Campo, Hortolândia (SP); Cândido Sales (BA) e Nova Santa Helena (MT).

Resumo das Medidas Judiciais:

• 44 Mandados de Prisão Preventiva (32 na PB, 10 em SP, 1 na BA, 1 no MT).
• 45 Mandados de Busca e Apreensão.
• Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias de 199 alvos.
• Sequestro de 13 Imóveis de luxo.
• Sequestro de 40 Veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.

HW COMUNICAÇÃO

Fonte: Mais PB

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