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Médicos denunciam erros em laudos no Hospital Metropolitano de Santa Rita

Médicos do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, denunciaram supostos erros em laudos de exames de imagem emitidos por uma empresa contratada de São Paulo. Segundo os relatos, as falhas estariam impactando diretamente no diagnóstico e na conduta clínica dos pacientes.

De acordo com profissionais da unidade, que preferiram não se identificar, os problemas teriam começado em outubro do ano passado, após a substituição dos radiologistas do próprio hospital por uma empresa terceirizada responsável pela emissão dos laudos. Antes da mudança, os exames eram analisados por médicos da própria instituição.

Referência em cardiologia e neurologia na Paraíba, o hospital realiza diariamente diversos exames de imagem. Um dos médicos ouvidos afirmou que erros nos laudos representam risco à saúde dos pacientes e citou, como exemplo, inconsistências em um caso envolvendo suspeita de aneurisma.

Outro profissional relatou que, após a alteração contratual, os radiologistas locais deixaram de ter acesso e ingerência sobre os laudos, decisão que, segundo ele, partiu da direção da unidade.

O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) informou que foi procurado pelos profissionais e classificou a situação como preocupante, destacando que a falta de confiabilidade nos laudos pode comprometer o tratamento dos pacientes.

Segundo os relatos, a empresa terceirizada é responsável tanto pelos exames de pacientes internados quanto pelos de pacientes externos, inclusive de municípios do interior, que utilizam a estrutura do hospital e retornam às cidades de origem apenas com os resultados em mãos.

Além das denúncias sobre os laudos, médicos também apontaram falta de recursos no setor de imagem e carência de profissionais e insumos em áreas como enfermaria e fisioterapia.

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) informou que realizou fiscalização na unidade nesta quinta-feira (26/02/2026) e que um relatório sobre a inspeção deverá ser divulgado nesta sexta-feira (27/02/2026).

Fiscalização

Bruno Leandro presidente do CRM-PB, relatou que um dos erros identificados foi a refrigeração inadequada da UTI. “A UTI, ela tem que ser um pouco mais refrigerada, até para uma questão bacteriana. Os termômetros já marcavam 25, 26 graus, bastante quente, insalubre, inclusive, para exercer a prática médica”.

A fiscalização também encontrou falta de alguns equipamentos, como monitorização de pressão intracraniana, bem como um quadro de funcionários insuficiente na UTI. “Havia uma falta de profissionais de UTI em determinados setores e falta de alguns equipamentos, como monitorização de pressão intracraniana, que é fundamental até para cirurgias neurológicas”.

O órgão deu um prazo de sete dias para correção de todas as inconformidades, sob o risco de interdição ética parcial daquele setor comprometido.

O que diz o hospital

O Hospital Metropolitano, que é administrado pela PBSaúde, fundação pública de responsabilidade do Governo da Paraíba, disse que “conta com uma central de laudos formada por quatro empresas credenciadas, responsáveis pela emissão de laudos de Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões da Paraíba, além da realização de ultrassonografias”.

A fundação disse que este modelo “foi adotado para garantir agilidade na liberação dos resultados, atendimento contínuo à população e suporte especializado às equipes médicas”. Sobre as alegações dos erros nos laudos, a PBSaúde disse que ” divergências de interpretação podem ocorrer na prática médica, especialmente em exames de alta complexidade. A elaboração do laudo é um ato médico técnico, baseado em critérios científicos e de responsabilidade do profissional que o assina”.

O hospital ressaltou também que a “conduta clínica, por sua vez, é definida pela equipe assistencial com base na avaliação completa do paciente que inclui exame físico, histórico e demais informações clínicas, além do laudo de imagem” e que “o laudo é um componente essencial do processo diagnóstico, mas não constitui, por si só, o único determinante da estratégia terapêutica”.

HW COMUNICAÇÃO com Notícia Paraíba e Jornal da paraíba

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