O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, defendeu, nesta terça-feira, as prisões preventivas e o instrumento da delação premiada como uma resposta institucional forte para interromper o processo de corrupção de alguns agentes. Ele usou como exemplo o caso do ex-ministro Geddel Vieira Lima. “Se formos estudar a história desse indivíduo, temos notícias de crimes da década de 1990. Se as instituições tivessem dado uma resposta naquela época, não teríamos eliminado esse apartamento de 51 milhões de reais?”, questionou Moro durante o evento Mãos Limpas e a Lava Jato, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista.
O juiz afirmou que tanto a Operação Mãos Limpas, inspiração para a Lava Jato, quanto a ação brasileira comandada por ele, não resolvem o problema da impunidade. “São necessárias reformas para diminuir incentivos e oportunidades de corrupção”, disse. “Processos judiciais são difíceis, é preciso reformas mais abrangentes”, concluiu.
Para o procurador federal Deltan Dallagnol, “tudo o que a Lava Jato identificou são diagnósticos”. “Precisamos de tratamento”, afirmou. Dallagnol se mostrou preocupado com as tentativas do Congresso Nacional. “Nós somos limitados, nossa contribuição é limitada dentro do sistema de Justiça. Nós buscamos contribuir com as Dez Medidas Contra a Corrupção, mas elas foram desfiguradas pelo Congresso Nacional.”
Segundo Dallagnol, é preciso ir além da operação: institucionalizar os resultados, de forma que a Lava Jato não seja um ponto fora da curva, assegurar que as punições cheguem às pessoas que estão no topo da cadeia dos crimes praticados e impedir que haja um esvaziamento da operação, como ocorreu na Itália.
Ao falar sobre as eleições de 2018, Dallagnol afirmou que fica mais preocupado com as eleições de deputados e senadores do que, propriamente, com a de presidente da República. “São eles que fazem as leis”, afirmou.
HW COMUNICAÇÃO
Fonte: Veja

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