O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a
quebra de sigilo bancário e fiscal do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL)
no período de 1º de janeiro de 2011 a 1º de abril de 2014.  A decisão é da
última quinta-feira (14).
O pedido foi feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) dentro de
inquérito da Operação Lava Jato que apura se o senador cometeu o crime de
lavagem de dinheiro e se recebeu cerca de R$ 3 milhões em propina em um negócio
da BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras.
Na época da abertura do inquérito, em março, Collor disse que irá provar sua
inocência e negou “qualquer tipo de relação pessoal, política ou empresarial”
com o doleiro Alberto Youssef, delator que colabora com as investigações.
No pedido de abertura de inquérito, feito em julho do ano passado, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse ver indícios “veementes” da
prática de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Em sua delação premiada, Youssef também disse que foram feitos vários
depósitos para Collor a pedido de Pedro Paulo, conhecido como PP. 
Ele foi
ministro de Collor durante seu mandato de presidente e é dono de uma empresa que
fazia negócios com o doleiro, GPI Participações e Investimentos.
Comprovantes de depósitos em espécie foram encontrados fortuitamente no
escritório de Youssef durante busca e apreensão, somando R$ 50 mil. 
“A
realização de movimentações vultosas em espécie não é comum e constitui
expediente usualmente utilizado para evitar rastreamento bancário”, apontou o
juiz Sérgio Moro ao encaminhar os dados ao STF.
Desde que surgiram as suspeitas, Collor tem atacado Janot e o Ministério
Público pelas investigações realizadas contra ele. Num discurso no plenário do
Senado, em março, o senador  afirmou que a atuação do órgão no caso é “parcial”
e “irretratável”. “Na prática da Justiça, listas de nomes sem provas não
significam absolutamente nada. […] Que credibilidade e veracidade supremas podem
haver nas palavras de notórios contraventores da lei?”, afirmou.

HW COMUNICAÇÃO com G1

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